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Neste espaço você conhecerá o Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa), uma pesquisa completa sobre a localização das áreas de maior risco de incidência do mosquito.

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Combate à dengue: a experiência do Rio de Janeiro

Se em todo o país o número de casos de dengue teve, nas 23 primeiras semanas de 2009, redução de 49,8%, no Rio de Janeiro, esta queda foi de 96%. Os números, que fazem parte de um balanço divulgado pelo Ministério da Saúde no dia 9 de julho, confirmam o sucesso das ações que foram empreendidas no estado. Para saber mais sobre estas ações, o Rio Contra a Dengue conversou com Mário Sérgio Ribeiro, Coordenador de Vigilância Ambiental da Secretária Estadual de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SESDEC).

Nesta entrevista, ele fala sobre os fatores e as iniciativas que garantiram o sucesso do trabalho de combate à dengue no Rio de Janeiro e reforça a importância do envolvimento da sociedade nesta luta. “É fundamental para o enfrentamento da dengue no estado e em qualquer lugar do país, a participação da sociedade em geral, não ficando ações práticas de saúde preventiva apenas pelo poder público. Por isso, mobilizar, sensibilizar e participar é preciso”, diz Mário Sérgio.

Rio Contra Dengue: O Ministério divulgou a queda de 49,8% no número de casos de dengue nos primeiros seis meses do ano em todo o país. No Estado do Rio de Janeiro, a queda foi de 96%. A que se deve esta redução?

Mário Sérgio Ribeiro: Pode ser atribuída a vários fatores, dentre os quais se destacam:

a) O fator epidemiológico, caracterizado pela imunidade de grande parte da população ao vírus DEN2, devido ao elevado número de casos em 2008, principalmente na Região Metropolitana I, onde se concentrou a maior parte dos casos naquele ano. Cabe o destaque de que não houve circulação do vírus DEN2 nas demais regiões, o que se esperava uma interiorização da epidemia, o que não ocorreu, acredito, pelos demais fatores abaixo.

b) As iniciativas de mobilização da população por parte da SESDEC e demais Secretarias de Estado em parceria com os municípios da Região Metropolitana I. Estas ações certamente impactaram na redução de criadouros do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, na redução os índices de infestação. Lembro que o mosquito é o único elo da cadeia de transmissão do vírus da dengue em que podemos intervir. Quando a população está bem- informada e mobilizada, atuando em parceria com os governo do estado e dos seus municípios, o controle do vetor se torna mais eficaz.

c) A instalação da Sala de Situação de Dengue – 2009, fortalecendo a integração entre as três esferas de governo no enfrentamento da dengue. Esta estratégia possibilitou o monitoramento semanal da evolução do número de casos em 31 municípios considerados mais vulneráveis a uma grande circulação do vírus, possibilitando que a SESDEC e os municípios implementassem conjuntamente as medidas oportunas para bloquear o avanço da doença, de acordo com as normas estabelecidas pelo MS.

d) A participação dos Bombeiros no apoio aos municípios, desenvolvendo tanto as ações de controle do vetor, quanto a participação nas ações de mobilização da população em grandes eventos, voltados para um viés de “cultura antidengue” foram importantes na redução do índice de Infestação do mosquito Aedes aegypti.

RCD: De que forma a suscetibilidade e imunidade da população interferiram nesta redução?

Mário Sérgio Ribeiro: Estudos epidemiológicos caracterizam que, quando há circulação de um tipo de vírus da dengue, ocorre um processo de imunidade aquele tipo de vírus. As epidemias por um tipo de vírus não se sucedem numa mesma região, pois há a necessidade da presença de pessoas suscetíveis ao vírus. Quando a transmissão é intensa, afetando grande parte da população, como ocorreu em 2008, há uma tendência de redução em períodos imediatamente posterior. O fato é que numa população de mais de 6 milhões de habitantes como é o caso da Região Metropolitana I, ainda se esperavam números maiores, o que não aconteceu.

A suscetibilidade é a capacidade de uma pessoa, em contato com um vírus que ela ainda não foi exposta, desenvolver a doença, caso seja infectada pelo mosquito transmissor da dengue. Quanto maior o número de suscetíveis, maior poderá ser o número de caso. Embora haja suscetíveis, é necessário que haja vetores infectados e ativos para transmitir o vírus às pessoas.

RCD: O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, chamou atenção para uma pesquisa realizada no Rio de Janeiro que revelou que 44% da população creditam à própria sociedade a liderança no combate à dengue. Em sua opinião, o empenho da população também foi responsável pela diminuição dos casos de dengue este ano no estado?

Mário Sérgio Ribeiro: Sem dúvida, mobilizar e conscientizar a população é a melhor estratégia no combate à dengue. Se trabalharmos a ideia de que o controle da dengue deve ser feito todos os dias, em todos os ambientes que frequentamos, como uma prática de higiene que executamos diariamente, o número de criadouros será reduzido, assim como a presença do vetor. Logo, ambiente sem vetor, população sem dengue.

RCD: Como a população foi conscientizada e envolvida no combate à dengue?

Mário Sérgio Ribeiro: Como disse anteriormente, nunca houve uma mobilização tão diversificada, com a participação de diferentes setores. A campanha Rio Contra a Dengue, da SESDEC, mobilizou várias Secretarias de Estado e diferentes segmentos da sociedade civil. Houve várias iniciativas de empresas públicas e privadas buscando a integração com a equipe da SESDEC, apresentando propostas interessantes, que contribuíram com a sensibilização e participação da população no processo. Esse é o caminho, o somatório de esforços com o mesmo objetivo: combater a dengue.

RCD: Apesar da redução no número de casos, as ações de combate à dengue continuam. Conte o que está sendo feito e quais devem ser ações para o próximo ano.

Mário Sérgio Ribeiro: Há um Grupo Técnico composto por diferentes áreas da SESDEC que se reúne periodicamente para atualizar e traçar as estratégias de controle e prevenção contra a dengue. No momento, já iniciamos uma articulação com alguns municípios que estão com deficiência de agentes para o controle do vetor, para auxiliá-los com a inserção de militares bombeiros. Este ano os municípios passaram a receber um acréscimo de recurso financeiro do MS para fortalecerem as ações de controle do vetor. Já estamos realizando visitas técnicas aos municípios para assessorá-los e levantar as dificuldades enfrentadas, para apoiá-los, dentro das possibilidades.

RCD: O Ministério da Saúde lançou também um documento com orientações para unificar as ações de vigilância e assistência em saúde para o combate à dengue em todos os estados e municípios do país. Na prática o que muda no Rio de Janeiro com isso?

Mário Sérgio Ribeiro: A proposta do MS compatibiliza com os anseios de vários anos, quando se buscava a integração entre essas áreas. A inserção dos ACS e das equipes da Estratégia de Saúde da Família nas ações de controle do vetor, por exemplo, ampliam a capacidade de redução de criadouros, como também potencializam as iniciativas de mobilização e informação à população. Isso facilitará, inclusive, aqueles municípios que têm deficiência de agentes, cujas ações poderão ser realizadas pelos ACS e contabilizadas nos Sistema de Informação de Febre Amarela e Dengue – SISFAD, aumentando a cobertura aos imóveis visitados. Outras ações pertinentes às orientações aos pacientes com suspeita de dengue poderão ser dadas pelos agentes de Controle de Endemias – ACE, que antes não se envolviam com isso. Essa medida era necessária e veio em boa hora.






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