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Neste espaço você conhecerá o Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa), uma pesquisa completa sobre a localização das áreas de maior risco de incidência do mosquito.

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Fumacê: entenda porque seu uso só é indicado em casos de epidemia

Você lembra como era quando o carro Fumacê passava pela sua rua? As crianças faziam caretas e tentavam descrever o cheiro que a nuvem de fumaça espalhava. Algumas pessoas corriam para abrir as janelas das casas e outras colocavam as mãos sobre olhos, nariz e boca. Outros ainda evitavam o contato com o inseticida, fechando suas janelas. Lembrou? Com a lembrança você deve estar se dando conta de que a cena não é mais tão corriqueira. Mas o fato de o carro Fumacê não ser visto circulando com a mesma frequência de antes não significa que o combate à dengue tenha se tornado menos intenso. Ao contrário!

A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 2,5 bilhões de pessoas – 2/5 da população mundial – estão sob risco de contrair dengue e que ocorram anualmente cerca de 50 milhões de casos. Desse total, cerca de 550 mil necessitam de hospitalização e pelo menos 20 mil morrem em consequência da doença. Como ainda não temos uma vacina para a dengue, o único elo que podemos tentar romper na cadeia de transmissão da doença é o vetor, o Aedes aegypti.

Como a reprodução do mosquito ocorre em qualquer recipiente utilizado para armazenar água, tanto em áreas sombrias como ensolaradas, eliminar esta possibilidade é o primeiro passo, o principal mandamento das medidas de prevenção que contam ainda com o uso de larvicidas. Em pó ou granulado, os larvicidas são colocados por agentes de combate à dengue em locais em que a água parada não pode ser eliminada. Já os inseticidas são líquidos espalhados pelas máquinas de nebulização, que matam os insetos adultos enquanto estão voando ou através de ação residual.

Os métodos que utilizam o inseticida é a Aplicação Espacial de Ultra Baixo Volume (UBV) ou tratamento espacial e a aplicação residual, esta é uma atividade voltada para controle do vetor em pontos estratégicos (PE) e o tratamento espacial é aquele popularmente conhecido como Fumacê. Segundo o Ministério da Saúde, tanto os larvicidas quanto os inseticidas têm eficácia comprovada, mas a aplicação espacial deve ser utilizada somente quando existe a transmissão da doença em situações de surtos ou epidemias, já que é uma estratégia para controlar a transmissão e não para eliminar o mosquito. Razões não faltam para esta restrição ao uso do Fumacê e seu uso de maneira criteriosa.

Para que as aplicações a UBV tenham a eficácia pretendida, devem ser realizadas no período em que existam condições de inversão de temperatura – depois do nascer do sol e pouco antes do pôr do sol – para manter a nuvem do inseticida movendo-se próximo ao solo, não atingindo mais de 6 metros de elevação, pois o Aedes aegypti geralmente encontra-se em baixas alturas. Além disso, como a aplicação espacial de UBV é fortemente influenciada pelas correntes de ar, obtêm-se melhores resultados quando a nuvem compacta de inseticida encontra-se até 100 metros de distância do equipamento aplicador.

Mesmo com estes cuidados, o inseticida mata o mosquito adulto apenas se ele estiver voando, se atravessar a fumaça e se o vento não estiver muito forte. Outra dificuldade é que o Aedes aegypti costuma se esconder em cortinas, debaixo de mesas e camas e em outros locais em que o inseticida não consegue chegar. Sem falar nas barreiras físicas, como muros altos, e no fato de a população muitas vezes não colaborar com a abertura de portas e janelas durante as aplicações. Por tudo isso, na prática, uma parcela muito pequena da população total é atingida. Mas este não é o único problema do Fumacê.

Este tipo de controle de vetores e mosquitos pode causar danos ao meio ambiente e à população, por ser tratar de um produto químico nocivo para ambos, e ainda contribuir para o surgimento de mosquitos resistentes. Como pulverizar o produto no ambiente com frequência significa eliminar apenas uma parcela deles – que entraram em contato com o produto utilizado e que são suscetíveis a ele – os mosquitos mais resistentes se proliferam e, assim, a resistência vai se propagando.

Mas mesmo em situações em que o Fumacê é indicado – surtos ou epidemias – a eficiência do bloqueio de transmissão aumenta consideravelmente quando se realiza a remoção prévia dos focos larvários, com a intensificação das visitas domiciliares e mutirões de limpeza e com a colaboração da população. Por isso tudo, o uso desta arma na luta contra a dengue deve ocorrer somente em momentos indicados tecnicamente, como em epidemias e ações de bloqueio de caso, e conforme critérios e recomendações para adequada aplicação do produto. Ou seja, os cuidados básicos de combate ao Aedes aegypti não podem ser esquecidos e, mais do que isso, devem ser priorizados. O ideal é realizar o controle das formas larvárias ao longo de todo o ano.

Você pode fazer a sua parte tomando cuidados em sua casa. Identifique locais que podem acumular água, mesmo que em pouca quantidade. Cheque e limpe calhas, declives no terreno, ralos entupidos e qualquer outro local que, com o acúmulo de água, pode se transformar em criadouro do mosquito da dengue. Observe sempre se a caixa d’água está bem vedada e mantenha potes e garrafas tampados ou fora de ambientes abertos para que não acumulem água. Lave, principalmente por dentro, com escova e sabão, os utensílios usados para guardar água em casa e coloque terra nos pratos dos vasos de plantas.






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