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Tecnologia: nova e importante aliada no controle da dengue

Tecnologia e mobilidade, juntas, já fazem parte da realidade de todos nós. Mais do que uma invenção, a tecnologia móvel foi uma revolução que atingiu e modificou de tal forma a rotina nossa de cada dia que é difícil imaginar a vida sem celular e sem internet. E se a tecnologia facilita a nossa vida, por que não usá-la também no combate à dengue? Apostando nisso, o Instituto Nokia de Tecnologia (INdT) – instituição independente e sem fins lucrativos que pesquisa e desenvolve soluções tecnológicas nas áreas de mobilidade e internet – desenvolveu o Nokia Data Gathering (NDG).

O NDG é um software que ajuda na coleta e no envio, em tempo real, de dados de pesquisas de campo, substituindo formulários em papel e garantindo resultados mais seguros. Lançado em 2008, ele permite criar questionários detalhados para distribuição em diversos aparelhos móveis por meio da rede celular. “Em 2007 fomos convidados pelo Ministério da Saúde pela Ação das Nações Unidas e pela Nokia para uma reunião em Brasília sobre novos métodos de coleta de dados em campo para a área de Saúde. Já naquela época tinha-se a percepção de que o uso de papel e caneta era ineficaz no controle de doenças que se alastram por meio de epidemias”, explica André Erthal, diretor da área de Experiência em Serviços do IndT.

O Instituto, então, começou a trabalhar a primeira versão de um sistema para telefone celular que fosse uma solução específica para casos de epidemia. “Uma das premissas básicas era o fato de o Brasil ter dimensões continentais. A solução deveria, portanto, ser robusta o suficiente para funcionar em diferentes cenários”, destaca André. O primeiro teste foi feito em uma cidade-satélite de Brasília, que enfrentava uma epidemia de diarreia. “Neste primeiro piloto medimos diferentes variáveis e, em seguida, realizamos outros testes em outras cidades, até que concluímos que o sistema funcionava”, conta André.

Na prática, o NDG funciona da seguinte forma: os agentes preenchem o questionário no visor do aparelho e mandam as informações para um servidor central. O sistema também possibilita o uso do geotag (marcação geográfica), com informações de GPS que permitem identificar em um mapa os pontos exatos onde a coleta foi realizada. A tecnologia garante, ainda, a transmissão de dados quase em tempo real, por meio da conexão GPRS das redes GSM. Em locais onde não há rede, os dados ainda podem ser armazenados em um cartão de memória ou enviados para um computador via bluetooth ou cabo USB.

Tantas facilidades despertaram o interesse do governo do estado do Amazonas. “Quando o sistema estava maduro o suficiente, fizemos contato com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Amazonas, que nos direcionou para a Secretaria de Saúde. Manaus foi a primeira cidade a adotar a tecnologia pela proximidade com o Instituto, mas não só. A primeira implementação deveria ser onde são investidos os recursos da lei de informática”, diz André. A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SUSAM) vem utilizando o Nokia Data Gathering desde outubro de 2008 e, segundo a própria SUSAM, ele ajudou a reduzir o número de ocorrências de dengue.

Manaus foi a primeira, mas, no que depender do IndT, não será a única a utilizar o NDG. “Temos todo o interesse em expandir o projeto, fornecendo a solução gratuitamente para organizações sem fins lucrativos e governos. O NDG não faz parte de uma estratégia comercial, mas de uma estratégia social, e quem estiver interessado pode fazer contato conosco”, afirma André. Segundo ele, há muito espaço para o uso da tecnologia na área de Saúde Pública. “Estamos convictos disso e temos, inclusive, pessoas trabalhando em projetos relacionados a isso. Acreditamos que a tecnologia móvel pode contribuir muito para a saúde e para o bem-estar.”

Para entrar em contato com o Instituto Nokia de Tecnologia, acesse www.indt.org.br.






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