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Neste espaço você conhecerá o Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa), uma pesquisa completa sobre a localização das áreas de maior risco de incidência do mosquito.

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Novo bioinseticida desenvolvido por Farmanguinhos vai ajudar no combate à dengue

Uma arma eficaz, capaz de evitar o desenvolvimento do mosquito da dengue sem oferecer riscos à saúde do homem, promete dificultar a proliferação do Aedes aegypti nos próximos anos. O mais novo aliado na luta contra a dengue é um bioinseticida desenvolvido por Farmanguinhos/Fiocruz que deverá ser produzido em breve. O produto é um dos seis novos inseticidas que o Instituto pretende lançar no mercado.

O novo bioinseticida atua de duas formas contra as larvas do mosquito transmissor da dengue. Aplicado nos criadouros, o produto é ingerido pelas larvas. De duas a quatro horas após a ingestão, as larvas do Aedes aegypti sofrem uma paralisação de seus músculos bucais e não conseguem mais se alimentar. Em seguida, um esporo (formas de resistência produzidas pelas bactérias) age causando infecção interna nas larvas já debilitadas, eliminando-as.

“Em 48 horas, o bioinseticida acaba com todas as larvas presentes no local, com efeito durante 21 dias. Tivemos o cuidado de inserir protetor solar na fórmula, para que não haja degradação nos locais mais pobres, onde muitas caixas d´água ficam expostas ao sol”, explica a pesquisadora Elizabeth Sanches, do Laboratório de Bioprodutos de Farmanguinhos, responsável pela pesquisa.

O produto possui duas formulações diferentes, desenvolvidas especialmente para os ambientes nos quais o mosquito se reproduz. Para o uso domiciliar (em caixas d´água), foram criadas pastilhas. Cada pastilha pode ser utilizada em até 50 litros de água. Já em piscinas, lagos e outros grandes reservatórios de água onde podem ocorrer altas concentrações do inseto, o produto deverá ser utilizado na forma de um comprimido hidrossolúvel ou granulado.

Todas as formulações do produto têm durabilidade de 18 a 24 meses e não oferecem riscos ao meio ambiente ou à saúde. “Foram três anos em meio para desenvolver a tecnologia e mais 18 meses para criar o produto. Neste período, fizemos todos os testes necessários, inclusive para avaliar se haveria impacto ambiental”, conta Elizabeth Sanches.

O bioinseticida foi criado a partir da bactéria Bacillus sphaericus, pertencente ao solo brasileiro e isolada no laboratório de Farmanguinhos. Após a biossíntese de moléculas da bactéria, a equipe coordenada pela engenheira bioquímica conseguiu criar um produto com essa dupla atividade contra as larvas do mosquito da dengue. “Este tipo de produto mostra que há alternativas interessantes na natureza que melhoram a qualidade de vida das pessoas e não provocam impacto ambiental. A biotecnologia deveria ser uma cultura nacional”, afirma.

O produto deve ser produzido em larga escala dentro de pouco tempo. Em breve, será publicado um novo edital para a escolha da empresa que será beneficiada com a transferência de tecnologia para fabricar as seis formulações. Farmanguinhos, que receberá royalties correspondentes à comercialização, fiscalizará a produção para garantir produtos de qualidade. Mas o produto não será vendido à população! Ele será disponibilizado para o Ministério da Saúde e deverá ser usado por agentes de saúde.

O bioinseticida desenvolvido pelo Laboratório de Bioprodutos de Farmanguinhos será, sem dúvida, um importante aliado no combate à dengue. Mas a própria Elizabeth Sanches lembra que, para combater a dengue, a melhor estratégia ainda é eliminar os criadouros. Portanto, é importante ter atenção, especialmente, com vasos de plantas, pneus e garrafas a céu aberto.






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