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Pesquisa: Instituto de Biofísica da UFRJ decifra o vírus da dengue

Desenvolver kits de diagnóstico mais eficientes e baratos, remédios e até mesmo uma vacina contra a dengue. O ponto de partida para isso tudo pode ser o trabalho que está sendo desenvolvido no Laboratório de Genômica Estrutural do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBCCF-UFRJ). O estudo da interação entre proteínas virais e proteínas da célula hospedeira realizado lá pode ser a base para o controle da doença.

“Temos tentado decifrar como as diversas proteínas do vírus da dengue interagem com as proteínas das células hospedeiras, visando entender melhor os mecanismos moleculares da replicação deste vírus”, diz o professor Ronaldo da Silva Mohana Borges, coordenador do Laboratório de Genômica Estrutural.

A estrutura do vírus é simples, consiste numa fita simples de RNA (material genético) envolta por uma membrana lipoprotéica. A infecção ocorre quando a membrana do vírus se funde à membrana da célula hospedeira e incorpora seu material genético. Assim, a célula hospedeira passa a produzir proteínas virais envolvidas na produção e montagem de novos vírus, aumentando a carga viral e desencadeando os sintomas da doença.

Segundo Ronaldo, quando se conhece a estrutura do vírus e das proteínas que ele produz, pode-se desenhar compostos inibidores muito mais específicos, produzindo menores efeitos colaterais. “Além disso, podemos também identificar pedaços expostos das proteínas, ou epítopos, que tenham propriedades imunogênicas e sejam úteis no desenvolvimento de vacinas contra esta doença”, explica.

Dentre as várias linhas de estudos seguidas pelo Laboratório de Genômica Estrutural, três têm apresentado resultados muito bons. A primeira delas é a produção de uma das proteínas virais, proteína que é secretada pelo vírus da dengue durante a infecção, e de anticorpos policlonais contra ela.

“Os kits de diagnósticos comerciais para a dengue também objetivam a detecção desta proteína, mas são fabricados com anticorpos monoclonais, que são muito caros”, observa Ronaldo. A produção da proteína em grande quantidade e a utilização de anticorpos policlonais pode, portanto, abrir caminho para que o diagnóstico da doença seja feito em um número maior de pacientes.

A segunda linha de pesquisa que tem apresentado resultados promissores está relacionada à busca de inibidores de enzimas do vírus da dengue, vitais para a sua replicação. “Compostos químicos sintetizados por pesquisadores tanto da UFRJ quanto da Universidade Federal Fluminense (UFF) são utilizados em ensaios de inibição das enzimas e já temos alguns que apresentaram atividade inibitória e que deverão ser patenteados em breve”, conta Ronaldo.

Já a terceira linha de pesquisa pretende entender como o vírus utiliza a célula hospedeira para se replicar. “Temos utilizado abordagens bioquímicas, biofísicas e de biologia molecular para desvendar quais proteínas da célula hospedeira (infectada) interagem com as proteínas virais. Quem sabe no futuro estas interações possam ser alvo de moléculas inibidoras, impedindo assim a propagação do vírus da dengue?”, questiona Ronaldo.






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