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Novo método promete maior rapidez no diagnóstico da dengue

Mais rapidez, sensibilidade e simplicidade na coleta de material para diagnosticar a dengue. Isto já é possível graças ao trabalho desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade da São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. Eles descobriram que o mesmo método utilizado em pesquisa e também no diagnóstico de doenças como a Influenza H1N1 pode ser aplicado à dengue.

“Classicamente, se utiliza o método sorológico para detectar anticorpos e, desta forma, diagnosticar a dengue”, diz Victor Hugo Aquino, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto. Mas como a produção de anticorpos é inicialmente baixa, o teste não detecta a doença logo no início. Isso ocorre porque, quando uma pessoa é infectada, embora o vírus entre na corrente sanguínea, busque uma célula e se multiplique rapidamente, a presença dos anticorpos no sangue só é detectada de sete a dez dias depois.

“Algumas cidades de São Paulo, por exemplo, têm utilizado outra técnica para diagnóstico, a de detecção da proteína do vírus da dengue. Esta técnica é mais rápida do que a do exame tradicional, mas ainda apresenta erros, dando como negativos casos que, na verdade, são de infecção pelo vírus da dengue. O nosso, que identifica o material genético do vírus, é mais sensível e consegue detectar mais casos”, destaca Victor Hugo.

“A possibilidade de falsos negativos existe, mas é menor. Segundo estudos desenvolvidos aqui, a sensibilidade do nosso exame chega a 90%, enquanto que a do que detecta a proteína fica em torno de 70%”, acrescenta Victor Hugo. Sobre a possibilidade de falsos positivos ele explica: “a diferença é que, com este exame, não há a necessidade de processamento após a amplificação do genoma, o que faz com que a possibilidade de um falso positivo seja mínima, para não falar inexistente”.

O método já é conhecido, mas só agora está sendo utilizado para diagnóstico de doenças. “Ele já tem sido usado em pesquisas, mas pode ser utilizado, não só em diferentes tipos de pesquisas, como para identificar diferentes vírus”, confirma Victor Hugo. Um dos vírus que já são identificados desta forma é o da Influenza H1N1. “O método é o mesmo, mas para cada vírus é utilizado um tipo específico de teste”, ressalta o professor.

O exame pode detectar o vírus da dengue por meio de qualquer material clínico. O sangue tem sido o mais utilizado, mas ele funciona também com saliva e urina. “Existem trabalhos publicados de amostra com sangue, mas a descoberta que a saliva também pode ser utilizada é uma novidade”, conta o professor da USP. Segundo ele, as três grandes vantagens são mesmo a rapidez, sensibilidade e simplicidade na coleta de material.

O kit ainda não está disponível em larga escala – ele vem sendo utilizado apenas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – mas esta possibilidade existe. Só que, para que o novo método possa ser adotado pelo sistema de Saúde, é preciso produzir os kits para diagnóstico da dengue em larga escala. “Nós, como universidade, descobrimos e desenvolvemos, mas não temos como produzi-lo em quantidade”, explica Victor Hugo.






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