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Dengue: sintoma sutil, desdobramento complexo

O que a dengue representa para você? Já pensou nisto? É uma ameaça, um incômodo? Qual a sua visão sobre a doença? Para uns, ela é uma enfermidade comum e não precisa de todo o alarde que tem ganho nos últimos tempos. Para outros, é um caso sem resolução e precisa contar com intervenções mais firmes do poder público e da sociedade como um todo. O conceito popular da dengue costuma variar. Na opinião de especialistas sobre o assunto, o que falta, em geral, é informação.

Então, a dengue é ou não uma doença comum? De acordo com o doutor em doenças infecciosas e parasitárias da UFRJ, Edimilson Migowski, não. É importante enumerar alguns motivos pelo qual devemos considerá-la sutil e perigosa. “A dengue merece uma atenção especial porque contraria o que sempre foi feito em emergências. Por exemplo, até o surgimento da epidemia, quando você tinha uma emergência pediátrica, uma criança passava a frente de outras se tivesse febre com dengue. E, hoje, sabemos que a criança com febre não assusta muito, mas uma com dengue sem febre merece atenção maior.”

O paciente de dengue é caracterizado por apresentar um curto período de sintomas iniciais, nem sempre com febre, seguido por uma pausa (uma aparente melhora), frequentemente sucedida por uma piora nos sintomas, desta vez com mais febre. É, principalmente, durante essa “aparente melhora” que ocorre durante o tratamento que a maioria dos pacientes se descuida. Acreditando já estar curados, diminuem a ingestão de líquidos e param o tratamento.

Assim que o vírus da dengue entra no organismo, o corpo reúne esforços para combatê-lo – é o sistema imunológico. No entanto, para algumas pessoas, esse combate acontece de forma mais intensa, ou seja, o corpo precisa fazer mais esforço para controlar a presença do vírus. Quando o organismo vence essa batalha, a febre baixa e os sintomas (quase) desaparecem. No entanto, como uma consequência desse esforço extremo, ocorre uma inflamação interna e a perda de líquidos atinge níveis altíssimos - o corpo fica desidratado. Ou seja: a ação do sistema imunológico sobrecarrega o próprio organismo. É aí que os sintomas e a febre voltam, com o agravante da desidratação. “O perigo é a reação inflamatória intensa que traz esse extravasamento de líquido. Ou seja, nesse caso, a resposta do seu organismo é exagerada e o tiro sai pela culatra. É por isso que dificilmente há uma complicação ou choque no primeiro dia”, explica Edimilson. É por esse motivo que os médicos recomendam extrema ingestão de líquidos durante a dengue, mais do que analgésicos.

O que vai decidir se o paciente vai agir corretamente ou não é a orientação. “O que não pode é deixar de orientar - a dengue é uma doença diferente. O leigo negligencia porque conhece gente com dengue que não morreu”, alerta Migowski. Na opinião do especialista, cada paciente devia ter um cadastro permanente no posto de saúde que ajudasse em caso de exame negativo. Ou seja, mesmo que inicialmente os testes não acusassem nada, mais tarde, após uma piora, seria possível ter um mínimo de parâmetros para consultá-lo.

Seguem, então, dois tipos de conselho aqui: um para os médicos e outro para os pacientes. Para os pacientes o conselho é: pergunte. Aprenda. Saiba tudo que puder sobre a doença. Não a subestime. Para os médicos o conselho é exatamente o oposto: informem. Passem toda e qualquer informação a seus pacientes. Não confiem apenas em exames e sim nas probabilidades. Com mais conhecimento, população e poder público estarão munidos contra a existência do mosquito transmissor. E, nem por isso, menos precavidos sobre os perigos que correm se não agirem corretamente. Quando a informação circula, a doença perde a força, não a importância.






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