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O Aedes aegypti que hoje atinge mais de cem países apareceu, pela primeira vez, na África. De lá para cá, visitou uns tantos continentes até dominar o planeta e funcionar como uma espécie de ameaça à saúde pública mundial. Todos conhecemos os sintomas da dengue, suas possíveis áreas de risco, os segredos da prevenção e o papel da mobilização. Mas a verdade é que se não tomarmos os devidos cuidados, o vetor pode invadir a nossa casa: o alerta é geral.
Já no século XVI, quando o mosquito aportava no continente americano, junto aos navios negreiros, em plena colonização, não se cogitava falar em dengue. O vírus, proveniente da Ásia, só chegaria muito tempo depois.
Os primeiros surtos de dengue foram reportados no final do século XVIII, em Java (Sudoeste asiático), na Filadélfia (Estados Unidos) e no Cairo e Alexandria (Egito). No século seguinte, para a desgraça do Caribe e do Sul dos Estados Unidos, quatro grandes epidemias devastaram suas populações, que desconheciam os motivos da moléstia.
Ainda assim, neste momento, longos eram os intervalos entre as epidemias. Isso, graças à dificuldade de introdução de novos sorotipos do vírus causador da doença, uma decorrência direta da lentidão do transporte marítimo. A lógica era a seguinte: se escasso era o trânsito do mosquito, reduzida a introdução de novos sorotipos e, com ela, a incidência de epidemias.
A tensão se agravou apenas com a Segunda Guerra Mundial, quando uma pandemia de dengue clássica tomou o Sudeste asiático. Já os registros dos primeiros casos de dengue hemorrágica marcaram a década de 1950: Filipinas e Tailândia.
Uma segunda expansão da dengue na Ásia começou nos anos 80, quando o Sri Lanka, a Índia e as Ilhas Maldivas tiveram suas primeiras epidemias de dengue hemorrágica. Desde então, epidemias de dengue causadas pelos quatro sorotipos também se intensificaram na África.
Em 1953, o vírus do tipo 2 foi isolado pela primeira vez na América, na Ilha de Trinidad. Mas foi apenas após a década de 60 que a dengue se intensificou no continente. A primeira epidemia confirmada em laboratório foi associada ao sorotipo 3, isolado no Caribe e na Venezuela em 1963 e 1964.
O sorotipo 1 apareceu pela primeira vez em 1977, na Jamaica, com provável origem africana. A partir de então, países da América do Sul, como Brasil, Bolívia, Paraguai, Equador e Peru, que estavam livres da dengue, foram acometidos por epidemias causadas por esse sorotipo.
Já o sorotipo 2, vindo do Sudeste asiático, foi o responsável pelo primeiro surto de febre hemorrágica ocorrido fora da Ásia, ocorrido em 1981, em Cuba. O segundo surto dessa manifestação da dengue aconteceu na Venezuela, em 1989.
Também no ano de 1981, houve a introdução do tipo 4 no continente, importado possivelmente das ilhas do Pacífico, causando diversas epidemias. O sorotipo 3, que não era encontrado desde 1978, voltou a ser detectado em 1994, na Nicarágua e no Panamá. Em 1995, a dengue já era a mais importante doença viral transmitida por mosquito no mundo.
Hoje, transcorrida mais de uma década, a condição não é diferente: a dengue é um dos principais problemas da saúde pública mundial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em todos os continentes. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da doença.
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