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Rio Contra Dengue - Movimento do Rio de Janeiro contra a dengue. Participe LIRAa
Neste espaço você conhecerá o Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa), uma pesquisa completa sobre a localização das áreas de maior risco de incidência do mosquito.

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Aumenta a letra Diminui a letra Oswaldo Cruz - Pioneirismo no combate ao aedes
A luta contra a dengue é o desafio nosso de cada dia. Mas o que talvez você não saiba é que esta guerra é mais antiga do que se imagina. No início do século XX, o mosquito transmissor da doença chegou até mesmo a ser erradicado, graças à atuação do médico e sanitarista Oswaldo Cruz.

Um dos maiores brasileiros de todos os tempos, Oswaldo Cruz nasceu em 5 de agosto de 1872, data em que hoje é comemorado o Dia Nacional da Saúde.

Ele foi fundamental no combate à febre amarela, principal problema sanitário do Rio de Janeiro no século XIX. A doença era transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que também transmite a dengue.

Por iniciativa de Oswaldo Cruz, brigadas de mata-mosquitos - agentes sanitários munidos de larvicida e instrumentos apropriados para a eliminação dos focos - passaram a percorrer a cidade, lavando caixas d'água, desinfetando ralos e bueiros, limpando telhados e calhas e eliminando depósitos de larvas do inseto.

Folhetos com instruções neste sentido eram distribuídos à imprensa, à população em geral e aos médicos. Em 8 de março de 1907, Oswaldo Cruz envia carta ao então presidente brasileiro Afonso Pena, dizendo que "graças à firmeza e vontade do governo, a febre amarela já não mais devastava sob a forma epidêmica a capital da República".

Com a erradicação da febre amarela no Rio de Janeiro em 1907, ele assegura ao presidente norte-americano, Theodore Roosevelt, as boas condições sanitárias da capital federal.

O Rio e o Brasil cresceram, e a população aumentou. As viagens aéreas e os transportes marítimos se intensificaram. O número de recipientes propícios para a proliferação do mosquito, como plásticos e pneus, é maior. O controle da reprodução do transmissor é mais difícil, mas ainda hoje podemos seguir as orientações de Oswaldo Cruz para o combate à dengue.

Oswaldo Cruz faleceu em 11 de fevereiro de 1917, aos 44 anos de idade, vítima de insuficiência renal. Sua luta gerou seu maior legado, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), um dos maiores centros de excelência em pesquisa medicinal do Brasil.


ENTREVISTA/DILENE DO NASCIMENTO

Sede da Fiocruz: conhecimento e pesquisa a serviço da vida


O portal RIO CONTRA DENGUE quis saber mais sobre a história de Oswaldo Cruz, médico e sanitarista que fez a diferença na vida de milhões de pessoas em todo o mundo ao trabalhar a favor da saúde e contra doenças que hoje se encontram erradicadas no Brasil. Se boa parte dos brasileiros nunca ouviu falar delas, é graças a Oswaldo Cruz. Nossa reportagem entrevistou Dilene do Nascimento, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz, da Fiocruz e doutora em História pela UFF, sobre a vida e a importância de um dos maiores brasileiros da história.

RIO CONTRA DENGUE - Quais foram os grandes legados de Oswaldo Cruz?

DILENE DO NASCIMENTO – Os legados foram vários e de extrema importância. Oswaldo Cruz, bem no início do século XX, construiu o local onde hoje é a Fiocruz, para fazer ciência. É importante colocar as coisas no devido contexto: no Brasil daquela época, três eram as epidemias mais graves a assolar a população: febre amarela, varíola e peste bubônica. Oswaldo Cruz se ocupou das três doenças, e controlou todas na primeira década do século XX. A varíola foi erradicada na década de 70, a febre amarela voltou na década de 80 e a peste bubônica, para nossa felicidade, nunca mais voltou. Acho que um dos grandes legados é que Oswaldo Cruz trabalhou com a saúde pública e com a ciência; ele fez da saúde pública ciência.

RIO CONTRA DENGUE – E isto era algo inédito até então?

DILENE DO NASCIMENTO – A História diz que ele foi o primeiro a trabalhar neste sentido. Oswaldo Cruz foi o pioneiro na implementação da medicina experimental no Brasil. Até então, no Brasil só víamos medicina clínica.

RIO CONTRA DENGUE – Como começou a Fiocruz?

DILENE DO NASCIMENTO – O que conhecemos hoje como Fiocruz começou como Instituto Soroterápico Federal, no início do século XX, mais precisamente em 1908, que logo depois virou Instituto Oswaldo Cruz (IOC), que existe até hoje. O IOC é hoje uma unidade da Fiocruz. Em 1970, foi criada a Fiocruz, reunindo o IOC, além da entidade que é hoje a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e o Instituto Fernandes Figueira (IFF). Hoje, temos unidades da Fiocruz no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Manaus, sendo que esta última é a mais recente.

RIO CONTRA DENGUE – Há sinergias entre elas?

DILENE DO NASCIMENTO – Sim, mas o diferencial de cada uma destas unidades da Fiocruz é que elas trabalham muito com a realidade de cada uma das regiões onde está presente. Em comum, o fato de todas estas unidades serem dotadas de serviços de pesquisa, ensino e produção.

RIO CONTRA DENGUE – Sobre a dengue, qual é a importância da Fiocruz nos estudos e no combate à doença?

DILENE DO NASCIMENTO – Temos vários pesquisadores da Fiocruz, em suas diferentes unidades, pesquisando os hábitos do Aedes aegypti e a transmissão da dengue. Temos muita gente boa estudando dengue hoje no Brasil, não só na fundação. No nosso caso, é um pessoal que trabalha sem parar na dengue, em diferentes departamentos. Temos na Fiocruz a Casa de Oswaldo Cruz, que trabalha na documentação da história das epidemias que afetaram o país, entre as quais a dengue.

RIO CONTRA DENGUE – E qual a relevância internacional da Fiocruz? - Há cooperação entre a fundação e entidades de outros países?

DILENE DO NASCIMENTO – A Fiocruz sempre teve parcerias com várias outras instituições brasileiras e internacionais. O próprio Oswaldo Cruz foi pesquisador do Instituto Pasteur, na França. Hoje, por exemplo, temos um trabalho importante de ensino em distância de saúde pública com outros países de língua portuguesa. A Fiocruz é internacionalmente conhecida e respeitada. Dá muito gosto trabalhar aqui. As pesquisas em dengue na Fiocruz acompanham mais ou menos a evolução da doença no Brasil. A dengue no Brasil ressurgiu nos anos 80, sendo 1984 em Roraima e 1986 no Rio. A partir daí, desde então, tivemos duas importantes epidemias, em 2002 e 2007/2008. Esta última nos preocupou especialmente porque ocorreu muito mais em crianças. Graças ao trabalho intenso de pesquisa, o Aedes aegypti é um dos mosquitos mais conhecidos do mundo. Os hábitos e todas as outras informações sobre o mosquito já são conhecidas, assim como a forma de prevenção. No entanto, a minha opinião e de vários pesquisadores é que faltam por parte do poder público, formadores de opinião e comunidade, ações contínuas no combate à doença. O que vemos, na minha opinião, são só ações tópicas.

RIO CONTRA DENGUE – Temos alguns grupos de pesquisadores com estudos de vacina contra dengue em diferentes estágios de pesquisa. Oswaldo Cruz enfrentou no início do século passado a Revolta da Vacina. Seria possível imaginar uma eventual reação a uma vacina anti-dengue?

DILENE DO NASCIMENTO – De forma alguma. A população já incorporou a importância de uma vacina contra a dengue. Se olharmos para trás a Revolta da Vacina, em 1904, que foi quando tudo começou. Em meados do século XX, foi feita a campanha de vacinação contra varíola. Logo depois, erradicamos a pólio. Os programas de vacinação de duas doenças importantes como estas, que deixam marcas, seqüelas e óbitos, foram extremamente importantes para conscientizar a população sobre a importância da vacinação. Graças ao trabalho feito naquele tempo, as campanhas de vacinação fazem parte da cultura do brasileiro e a adesão é sempre muito positiva e importante.

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